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Pedágio, por quê?

A revista O Carreteiro publicou em sua ultima edição uma reportagem sobre o preço dos pedágios nas rodovias brasileiras segue a reportagem. 

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Com mais de 700 quilômetros de extensão, dos quais apenas 200 são duplicados, e 10 postos de pedágio, rodovia responsável por escoamento de produção agrícola entre as regiões produtivas e o Porto de Paranaguá tem sido cada vez mais criticada por carreteiros, sindicalistas e autoridades

"Não tem mais que discutir, tem que duplicar...". "Qualquer coisa, manda queimar as praças de pedágio, vamos tocar fogo nas coisas". A declaração é de Luiz Antônio Pagot, diretor geral do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), em reunião com prefeitos e deputados na Amop (Associação dos Municípios do Oeste do Paraná), em Cascavel/PR, no final de maio. Ele discursava abordando o tema duplicação da BR 277, que corta o Paraná, de Foz do Iguaçu e Paranaguá, estrada importante para a economia do Estado e do País, pedagiada e com 10 praças de cobrança ao longo de todo o seu percurso.
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Se os carreteiros invadirem ou tentarem colocar fogo nas praças de pedágios, como sugeriu Pagot, a polícia "baixa o cacete", alerta Valdecir José Horn
As declarações de Pagot fizeram com que o movimento pela duplicação da BR-277 ganhasse força. Ela tem o apoio de motoristas de caminhão de todo o País que trafegam pela rodovia. No entanto, eles entendem que os carreteiros não devem colocar em prática a sugestão do diretor geral do DNIT. O carreteiro Valdecir José Horn, de Toledo/PR, diz que se os carreteiros invadirem ou tentarem colocar fogo nas praças de pedágios, como sugeriu Pagot, a polícia "baixa o cacete". "O motorista de caminhão não tem apoio, para invadir as praças de pedágio. Mas uma declaração como essa, de uma autoridade, deve dar força pelo movimento da duplicação. O preço do pedágio é um absurdo. Ele não é compatível com a condição da estrada. Deve ser duplicada logo", afirma Valdecir.

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Apesar de ser uma importante rota de escoamento de produção agrícola do campo para o porto de Paranaguá, BR-227 tem pista simples de mão dupla e postos de pedágio
Para Jorge Arcanjo da Silva Neto, de Campinas/SP, o preço do pedágio é o vilão do frete, especialmente no Paraná e na BR-277. "O pedágio na BR-277 é muito caro para a condição da estrada. Não tem segurança, o risco de roubo de carga é muito grande. Pelo preço que pagamos teríamos que viajar em uma rodovia duplicada, com mais segurança, mais postos de atendimento", desabafa Neto. Ele acrescenta que as praças de pedágio teriam que ter chuveiros e local para o carreteiro ou o motorista que trafega de automóveis descansarem. Além disso, pagar pelo eixo erguido é um "roubo". "Isto só acontece no Paraná", acentua.

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Para o carreteiro Jorge Arcanjo da Silva Neto, o pedágio na BR-277 é muito caro pela condição da estrada e além disso tem de se pagar pelo eixo erguido
Josemar Duarte, de Marechal Cândido Rondon/PR, roda pela BR-277 todas as semanas com seu bi-trem e diz que a duplicação tem de acontecer logo. Ele também frisa que nas condições atuais, a sinalização teria de ser melhor. "É muito pouco o que eles fazem na estrada. Você observa que as obras de conservação geralmente estão próximas às cidades. É uma forma de enganar a população, dizendo que estão fazendo alguma coisa. Mas o carreteiro está todo dia na estrada, por isso é difícil de enganá-lo", acentua. Josemar diz ainda que a duplicação deve ser imediata em função do que se paga pelo pedágio. Ele, por exemplo, gasta R$ 800 de diesel com seu bi-trem até Paranaguá e mais R$ 408,00 com pedágio. "É uma relação que tira lucratividade do carreteiro e encarece o produto transportado", conclui.
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As obras de conservação estão sempre próximas às cidades. Esta é uma forma de enganar a população, para dizer que estão fazendo alguma coisa, diz Josemar Duarte
Quem mais sofre com a cobrança de pedágio é o carreteiro, cujo local de trabalho é a estrada. No caso da BR-277, ele paga as tarifas de pedágio e não recebe nada em contrapartida. Geová Pereira, presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, com sede em Cascavel, apoia o diretor geral do DNIT, afirmando que ele fez aquelas declarações como cidadão da região (ele é de São Miguel do Iguaçu, próximo a Foz do Iguaçu), portanto, um profundo conhecedor da situação da BR-277. "O Pagot falou aquilo mais como um desabafo de alguém que vê o quanto o pedágio é prejudicial à economia da região, de alguém que já perdeu muitos amigos em acidentes nesta estrada. Entendi que naquele momento não era uma autoridade nacional falando e sim um cidadão da região Oeste", afirma Geová.
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A partir do trevo de Cascavel, em direção a Curitiba, rodovia recebe caminhões vindos de Mato Grosso, pela BR-163, e passa a ter fluxo mais intenso de veículos pesados
O sindicalista reconhece que as declarações de Pagot reascenderam o movimento "BR-277, Duplicação Já" e seria importante que entrassem nas negociações junto com o governo, entidades da sociedade civil como sindicatos de caminhoneiros, associações comerciais, associações de viajantes e muitas outras que precisam da rodovia. Para ele, o momento é das autoridades e o governo do Paraná negociarem de forma mais dura com as concessionárias. "Estamos vivendo uma calamidade. Todas as vezes que procuramos as concessionárias, eles simplesmente dizem: vão reclamar para o governo", lamenta.
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Quem mais sofre com a cobrança de pedágio é o motorista de caminhão, que trabalha na estrada, paga as tarifas e não recebe nada em contrapartida, diz Geová Pereira
Para o presidente do Sindicato dos Transportadores, pelo preço que se paga hoje, a estrada teria que ser duplicada e oferecer muitos outros serviços. Por isso, ele pergunta onde estão a sinalização ideal, os serviços de apoio, postos de atendimento a cada 100 quilômetros, banheiros adequados nas praças de pedágios, áreas de descanso com segurança; local apropriado para a colocação de veículos com carga perigosa; valas de contenção para filtrar produtos tóxicos da chuva e oriundos de acidentes; terceiras faixas em pontos mais críticos; socorro mecânico e médico; e telefones de emergências. "Se alguém quebra na estrada, eles guincham ao posto mais próximo e largam lá. Na verdade, teriam que levar à cidade mais próxima, a uma oficina especializada. Isto era o que o governo estadual nos propôs quando queria apoio para implantar o pedágio", completa.

Infraestrutura

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Na contramão do desenvolvimento está a falta de infraestrutura em muitas estradas brasileiras. Em cima dessa justificativa, o Ceará proíbe a circulação de caminhões com peso acima de 45 toneladas nas rodovias estaduais. Essa realidade torna difícil o transporte de cargas, principalmente para bitrens e rodotrens. Entenda a dificuldade: ao chegar a uma rodovia estadual cearense, os motoristas devem apresentar autorizações especiais de trânsito individuais para todas as composições. Caso o caminhão seja articulado, os carreteiros são obrigados a transportar uma carreta por vez, refazendo o restante do percurso quantas vezes for necessário para completar a viagem. Esse itinerário encarece o serviço e torna mais cansativa a jornada de trabalho. Isso, sem contar com as possíveis multas, caso o motorista não apresente uma AET para cada implemento. Além do peso e conteúdo das carretas, transportadoras e autônomos têm de informar o percurso completo da viagem para conseguir uma AET. Em caso de qualquer alteração no trajeto determinado, torna-se necessária a emissão de uma nova autorização, que pode ser obtida gratuitamente pela internet. O problema nesse caso é a falta de conhecimento do carreteiro sobre o sistema e a dificuldade para encontrar uma lan-house (local para uso de internet e impressão). "Fica difícil programar perfeitamente a rota, imprevistos acontecem e não é fácil achar um computador com internet e impressora. A cobrança de pedágio para a reforma e manutenção da pista é a melhor opção", opina Luiz Croce, proprietário da transportadora Transcroce.
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1 A cobrança de pedágio para reforma e manutenção das rodovias do Estado seria a melhor solução, comenta Luiz Croce
Sobre essas dificuldades, o diretor do núcleo de trânsito do Detran do Ceará, Ulisses Malveira Goes, afirma ser simples a solução. "A validade da AET é de 30 dias e renovável após este período. O mais indicado no momento da solicitação é colocar o maior número de localidades para o trajeto do veículo. Basta pesquisar a rota e as possibilidades de desvio antes de solicitar a autorização, além de ser possível emitir uma nova autorização a qualquer momento pela internet." explica.
Em 2010, segundo dados divulgados pelo órgão cearense, 23.709 pessoas e/ou empresas realizaram solicitações de autorização especial de trânsito para 72.290 caminhões e 18.797 carretas. As rodovias com maior tráfego de veículos pesados são CE-176, CE-371 e principalmente a CE - 060, que cruza o Estado do Norte ao Sul.
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O governo estadual está correto em limitar do tráfego de veículos pesados que estragam as rodovias, opina Alessandro Bof
O Detran cearense alega efetuar um controle de tráfego desde 2001, que aponta excesso de peso como principal razão do desgaste prematuro das rodovias. O estudo revela, também, que as pontes são o principal fator de risco com a circulação de veículos pesados, pois suportam no máximo 47 toneladas. Em 2007, por exemplo, uma ponte localizada no trecho de Quixeramobim (CE-060) cedeu cinco centímetros após a passagem de caminhões pesados, com peso acima das 45 toneladas permitidas. Na opinião de Alessandro Bof, proprietário da transportadora Unibof, o governo estadual está correto em limitar o tráfego de veículos pesados nas rodovias, "Eu sou contra os caminhões bitrem e rodotrem, eles acabam com as estradas", enfatiza.
Em contra partida, o proprietário da Pedra Branca Transportes, Paulo Alves Ferreira, atenta para o futuro do transporte nacional e cobra soluções. "Os caminhões com alta capacidade de carga são uma tendência sem volta, é preciso uma nova solução ou o abastecimento das cidades cearenses pode ser prejudicado", opina.
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Os caminhões com alta capacidade de carga são um tendência e não tem mais volta, destaca Paulo Alves Ferreira
Questionado sobre possíveis problemas para o abastecimento das cidades, o diretor do Detran/CE, Ulisses Malveira Goes, afirma existir o bom censo por parte dos policiais rodoviários na fiscalização. "Caminhões carregados de produtos perecíveis e fora dos padrões exigidos são autuados, mas seguem viagem para não prejudicar o abastecimento do comércio", afirma. Ele também confirmou a existência de um estudo de engenharia de tráfego para possíveis mudanças na regulamentação atual, mas o alto investimento necessário para readequar a infraestrutura viária trava as mudanças.
Outro problema conhecido do motorista brasileiro é o pagamento de propina para a liberação dos caminhões. De acordo com carreteiros que preferem não se identificar, no caso de bitrens é comum policiais sugerirem o suborno, informando inclusive a diferença entre o valor da propina e o desembolsado com multas e despesas para finalizar o serviço.
Em resposta as acusações, o Tenente Coronel da Polícia Militar e Comandante da Polícia Rodoviária Estadual do Ceará, Francisco Túlio Studart de Castro Filho, retificou a importância de uma denúncia formal à corregedoria do órgão, em caso de qualquer tentativa de extorsão. "É só através das denúncias que podemos provar se isso realmente acontece. Inclusive, nós intensificamos as investigações nos últimos meses para extinguir os falsos policiais da corporação", afirma.
As restrições ocorrem também em Minas Gerais, onde caminhões de 57 toneladas não estão sendo autorizados a circular pela BR381 no período noturno. Antes de iniciar qualquer viagem, a transportadora ou o carreteiro autônomo deve buscar informações sobre as rodovias da rota.